Apelo…
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Pedimos a todos os nossos visitantes que já tenham tido uma experiência relacionada com o cancro (que tenham passado pela doença ou que conheçam alguém com esta doença), para deixarem o seu testemunho, no sentido de dar esperança a outras pessoas que estejam a passar pelo mesmo.
Obrigada pela vossa colaboração.
Obrigada pela vossa colaboração.

8 comentários:
Sim eu fui uma das contempladas com a doença.
Tinha 40 anos quando soube e o "choque" foi terrível. Primeiro chora-se, a raiva instala-se, porquê eu? que mal fiz? pensamos nos filhos, na família, coloca-se a hipótese do nosso tempo de vida estar próximo. Após esta fase levantei a cabeça entrei no IPO e tratei de me curar. Cumpri tudo que me mandaram. Fiz cirurgia (extração do tumor da mama)), radioterapia, caminhei para Coimbra diariamente para a fazer, medicamentos, análises constantes, tudo, mas valeu a pena, ao fim de 5 anos disseram que passaria a ter as consultas que qualquer mulher deveria ter. Agora sou seguida anualmente e já passaram mais de 6 anos desde o dia que mudou a minha vida. Sou professora tornei-me mais compreensiva, mais tolerante, a vida ensinou-me que há muita coisa que não vale a pena valorizar em demasia. Tento viver o dia a dia o melhor que posso e sei. Tenho uma filha que precisa de mim e uma família que se preocupa comigo e tenho de retribuir.
Fui eu que descobri o meu "caroço" fazendo o autoexame, também sempre fiz todas as consultas anuais no ginecologista. Fui imediatamente ao médico,a ignorância é pior que o medo e tratei de recolher toda a informação sobre o assunto.Considero que participei activamente na minha recuperação. Nem sempre foi fácil mas o esforço valeu a pena.
Gostei que o Luís me tivesse enviado o endereço deste mail, fui sua professora e sinto-me orgulhosa dos meus alunos. Desejo um bom trabalho para todos vocês e uma boa nota na disciplina.
Beijinhos
AS
Bom trabalho...
mm4
Aqui deixo o meu testemunho sobre - cancro da mama!!!
“O cancro da mama
O cancro da mama é a forma de cancro mais comum na mulher. As taxas de incidência têm vindo a subir na segunda metade deste século.
Calcula-se que uma em cada 10 mulheres irão desenvolver cancro da mama ao longo da sua vida.
Se a doença é detectada cedo, antes de ter tido hipóteses de progredir (metastizar) atingindo outros tecidos para além da mama, a taxa de sobrevivência pode chegar a 95%, durante pelo menos 5 anos
Apesar dos avanços no diagnóstico e tratamento, o cancro da mama continua a ser a primeira causa de morte das mulheres entre os 35 e os 55 anos e a segunda entre as mulheres de todas as idades. Na Europa, quase 20% de todas as mortes por causa oncológica são devidas ao cancro da mama. “
Pois é minhas amigas, não desanimar, é a principal terapia!!!
Hoje faz exactamente nove anos que fui operada, daí que vos queira deixar esta mensagem!
Nove anos de esperança de vida renovada! A cada ano que passa, sinto o quanto foi benéfico passar esta etapa da minha vida, roubaram-me apenas uma parte do corpo, aquela que apenas ocupa o espaço de uma mão cheia de nada, pois se me roubassem a mão, muito mais falta me faria e nunca poderia afagar com ela todos os que me são queridos e aqueles que amo.
Nove anos já passaram, o resultado é positivo, pois muito aprendi… aprendi a dar valor à vida… aprendi a não dar importância aos pequenos nadas que tentam desarmonizar a alegria de viver e conviver!!!
Tinha apenas 34 anos, quando na esperança de gerar o meu segundo rebento fui confrontada com uma machadada que cortou para sempre essa possibilidade.
Paralisei, petrifiquei, chorei e perguntei-me a mim própria o porquê de tal dor.
Deambolei sem destino durante horas, dias e semanas procurando a resposta que nunca encontrei.
Na impossibilidade de nada fazer, entreguei-me a Deus e pedi socorro a quem me havia posto no mundo, sim… só ela me poderia dar a força necessária para continuar esta luta contra o tempo… contra o fim da minha vida, pois previa-se o pior.
Agora também eu, com apenas 34 anos, iria fazer parte da lista da estatística de mulheres com cancro de mama.
Esta era a dura realidade, respostas não existiam, apenas meras hipóteses, se fizermos isto… se fizermos aquilo… se… se… era a vida que estava em jogo e apenas se’s…
Pensava, revoltada com tudo o que me estava a acontecer, no dia em que perdi a minha querida mãe, no dia em que ela quis abandonar a vida, desesperada e confiou em mim para acabar o que ela não conseguiu, então só há uma saída… tenho que viver… por mim e por ela… tenho de conseguir, custe o que custar, eu vou conseguir… e será sempre ela que me dará esta força!!!
Um mês de insegurança que mais pareceu um ano e lá fui eu receber os resultados da análise, sozinha por opção, não disse a ninguém , estava preparada psicologicamente para o golpe final!
A médica perguntou surpresa:
- Sozinha???
E eu repondi convicta:
- Sim e não tenho medo, estou bem preparada, pode dizer porque me preparei…
- O resultado não é o melhor…
- Eu estou preparada, diga logo!
Perante tal convicção recebi o resultado com a maior naturalidade depois de um mês de suspense e árdua espera.
Na altura estudava e trabalhava, a escola sempre foi o meu passatempo preferido, mas ía entrar no período de férias, as depressões já eram uma constante nesta fase, eu tinha que ter força suficiente para continuar, nada que uma consulta de psiquiatria não resolvesse, há que prevenir, pensava eu.
Desenrola-se toda uma série de consultas, exames e diagnósticos.
O nódulo está a crescer, dobra o tamanho nos 2 meses subsequentes, há que fazer quimioterapia para reduzir o seu tamanho. Vamos ao gabinete de acção social para nos explicarem que o cabelo vai cair, que vamos sentir enjoos, etc, etc.
Começa a primeira fase de quimioterapia, oito tratamentos… o medo, quem não ouviu já falar nestes efeitos secundários.
Explicam-me que pondo um capacete gelado na cabeça a irrigação sanguínea é mais diminuta na raíz do cabelo e talvez este se consiga aguentar.
- Então venha o capacete!!!
Lá fiz a quimio com o dito capacete e realmente o cabelo, embora caísse muito, nunca caiu todo.
Cada tratamentoficava mais debilitada, mas nada que não se aguentasse, o que importava era sobreviver!
Passados sete dos tratamentos, vê-se que o nódulo já não diminui mais, é marcada a operação para 21 de Outubro, mas realiza-se apenas a 22 devido ao elevado número de pacientes no I.P.O. de Coimbra. A minha sincera homenagem a todos os que lá trabalham que têm extrema generosidade, bondade e paciência.
É comum ouvir dizer mal dos hospitais, então eu devo ter muita sorte porque sempre me trataram com todo o carinho e me deram toda a atenção que precisei!!!
Fui a primeira a entrar no bloco… a mínha médica ia falando e brincando à medida que se aprontavam para a cirurgia, até que adormeci…
Acordei já passava das 14 horas, bem disposta, mais leve, afinal uma parte de mim já não estava ali, eu estava nos cuidados intensivos, mas viva!!!
O que importa a mama se eu estou cá e há tanta gente que perde uma mão ou uma perna que lhe fará bem mais falta. Tenho que agradecer a Deus por estar viva!!!
Volto ao quarto no dia seguinte e seguem-se mais treze dias de convalescensa, de anedotas e de risos entre os cuidados e tratamentos aplicados.
Possivemente não haverão muitos testemunhos assim, eu sei que pensarão que sou doida ou mentirosa, não… não, esta foi a realidade!!!
Entre as oito camas, umas pacientes que entram outras que saiem , mas todas estaos ali pelo mesmo motivo e relembrarei sempre uma senhora de setenta anos de S.ª Combadão que dançou o vira, no quarto, no dia seguinte à operação!!!
Essa nunca esquecerei!!!
Chegada a altura da despedida do hospital, aí sim todas chorávamos, as que partiam e as que ficavam!
Também chegou o meu dia e saí a soluçar, mas ao mesmo tempo contente, mais uma etapa estava ultrapassada.
Segue-se a segunda fase de quimioterapia, para irradicação de possíveis células, enbora um pouco mais debilitada também se passa sempre na esperança de chegar mais além.
É necessário manter-me sempre ocupada, é necessário nunca perder a esperança e querer … querer viver!!! Nunca desistir!!!
Posso dizer que o mais importante é ter sempre objectivos, pois os meus eu consegui concretizar!!!
Nunca deixei de estudar, do 12º Ano inscrevi-me na universidade, fiz o meu curso!
Infelizmente no nosso país não são reconhecidas as pessoas pelo seu mérito, pois o factor C é muito mais importante que quaquer diploma ou bom desempenho, mas que importa isso diante de tão grande prova de vida!!!
Que me importa que os outros reconheçam os meus méritos, eu estou viva e isso é muito bom!!!
No dia 20 de Abril de 1999, dia do aniversário do meu Pai, foi também o dia em que descobri que tinha uma problema de saúde, um cancro, um Linfoma de Hodsking.
No Hospital de Évora, senti-me como um "ratinho de laboratório", todos perguntavam o que se passava com aquela menina de 12 anos, com aqueles longos cabelos e com a vitalidade normal da idade.
O que se passava foi confirmado no IPO de Lisboa pela equipa médica...foi o mundo que caiu aos pés dos meus pais, a mim no início muito pouco me preocupou, pois aos 12 anos não fazia a menor ideia do que era um Linfoma de Hodsking. E lembro-me de quando todos olhavam para mim com pena, com lágrimas nos olhos e sem saber o que me dizerem, de olhar para todos e dizer "vou como estes meninos, ficar careca e ter um boby para passear".
Desde o início que foi um processo bastante doloroso para a minha família, a mim só pouco a pouco me foram surgindo as coisas "más" desta doença que é o cancro.
Sempre fui tratada no IPO de Lisboa, e por isso mesmo sempre gostei do Hospital, além de ser o local onde me tratariam, foi o lugar onde sempre me entenderam e me deram tudo o que precisava. Depois de todos os exames e procedimentos de diagnóstico comecei os tratamentos de quimioterapia, e ai tudo se tornou bastante mais complicado. Os efeitos secundários, os dias de cama, os dias sem visitas, os dias sem vontade de abrir os olhos, os comprimidos...e o arrastar de um processo. O afastamento da escola e dos amigos foi sem dúvida o mais dificil para mim, eu que sempre fui tão boa aluna tinha de ficar em casa enquanto os meus amigos estavam nas aulas, no fim do dia as vezes vinham trazer-me as novidades, fazer-me companhia.
Foram meses e meses que se prolongaram, e que continuaram com sessões de radioterapia. Com tudo isto o Hospital foi a minha segunda casa, os enfermeiros e os médicos os meus grandes amigos, assim como os outros meninos, companheiros de luta, os que como eu venceram e os que vi serem vencidos.
Toda esta experiência foi "desadequada", eu tinha 12 anos, não merecia estar a lutar contra um cancro, devia estar a descobrir a adolescência a aproveitar a idade do armário, a ganhar medalhas nas competições de natação de que tanto gostava.
Mas foi também uma experiência que me marcou bastante, os dias em que de manhã ia a escola, a hora de almoço ia para Lisboa fazer os tratamentos, regressava à noitinha à casa da minha amiga para copiar as aulas que tinha perdido, muitas vezes com a mão esquerda porque a direita estava exausta dos tratamentos.
No meio de tudo isto houve momentos que me senti triste, que me perguntava "Porquê eu???", "Quando é que isto acaba???", momentos estes que surgiam muitas vezes quando me olhava ao espelho e me via sem cabelo e com aquele aspecto doente, que por muito que tentasse não conseguia disfarçar...ver as minhas amigas a encontrar namorados, a passearem, a irem a praia, à piscina, ao cinema, e eu não podia.
Lembro-me de um dia que fui assistir a um treino dos meus colegas de natação, fiquei atrás de uma janela, com as lágrimas a demonstrarem a vontade de me atirar para a piscina e fazer o treino com eles, mas não fiquei ali, e ao fim de poucos minutos tinha a minha treinadora, os meus colegas todos à minha volta a apoiarem-me, momentos que tornaram a minha vida diferente e tornaram possível a minha recuperação.
Mas nestes momentos pensava em quem me rodeava, nos meus pais, na minha irmã, nos meus avós e arranjava muitas vezes nem sei como forças para continuar, continuar e foi assim que acabei por vencer o cancro.
Muitas foram as consultas, muitos foram os momentos em que pensei "se fico doente outra vez, como é?"...ainda hoje por vezes penso se seria capaz de repetir todo o processo. Sentimentos de pena e piedade sempre aceitei muito mal, pois fui sempre rodeada de sentimentos de esperança e de energia positiva o que sinceramente foi essencial, ter o apoio incondicional de família e amigos foi sem dúvida alguma a chave para a minha passagem por este obstáculo.
Hoje sou uma pessoa diferente, vivo um dia de cada vez, dou muito valor a coisas que às outras pessoas lhes passa completamente despercebida. Não há um dia que não me lembre de todo este processo, das pessoas que conheci, os que vivem e os que têm morrer, e várias vezes me interrogo "Porque sobrevivi?".
Uso toda a minha experiência para ajudar quem possa, facto esse bastante explícito no facto de estar a finalizar a minha Licenciatura em Enfermagem. A doença fez de mim a pessoa que sou hoje, alegre, divertida, solidária, amiga e vivo rodeada de um sentimento que é o amor. Tenho orgulho do meu precurso e hoje só quero ser feliz, eu aquela miuda que teve um cancro e que hoje tem um sorriso porque é feliz.
Nunca deixem de ACREDITAR.
Ana Fernandes
Boa noite
Fui ao site do cancro pediátrico vi o vosso convite para visitar este blog, acho que está bem, vinha dar o meu testemunho.
Eu estou a viver esta realidade na 1ª pessoa.
Também estou a partecipar num trabalho de uma escola de Vila do conde com alunos do 12º ano esses
pediram se podiam publicar o testemunho,com o meu nome.
Até sempre
Pedro
olá eu tenho 14 anos e até Agosto de 2007 jogava futebol e fazia muito desporto era feliz fazia aquilo que mais gostava.Fui fazer uns exames para o futebol onde foi diagnosticado um linfoma de hoking fui logo para o ipo de lisboa o senti-me muito mal. Comecei a fazer quimio depois fiz radio até ao fim de novembro.Estava tudo bem tinha acabado os tratamentos ia ás consultas estava tudo a correr muito bem até que em Agosto de 2008 aparece-me um alto junto á clavicula fui ao ipo nesse dia fiz logo biopsia nos dias seguintes sempre a fazer exames e várias biopsias e não havia resultado definitivo mas na pet acusou a doença outra vez, só não sabia se era o mesmo ou era outro não podem imaginar o que senti,tornar a começar tudo outra vez,foi horrivel. Saíu o resultado a meio de Agosto era o mesmo mas espalhou-se para alguns orgãos nunca tive qualquer sitoma.Fiz quimio 4 ESAPS que são 92 horas a levar quimio seguido cada tratamento acabei em outubro mais ou menos a meio em novembro fui fazer auto-transplante agora estou em casa a recuperar correu bem mas é muito dificil fazer transplante . Tem sido tudo muito doloroso mas agora há que ter fé e esperança para continuar . Felicidades para todos...
Pedro
Acho que estão a realizar um trabalho fabuloso...
Ana Marques, 23 anos, Cascais...
Boa noite caros "colegas", gostámos imenso do vosso blog, afinal temos temas semelhantes.
É tão bom ajudar (ou pelo menos tentar) estas pessoas tão especiais.
Espero que tenham imenso sucesso com o vosso trabalho, cumprimentos.
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